Do grande meio para vencer as Tentações – Meditação Alternativa

Do grande meio para vencer as Tentações

Vigilate et orate, ut non intretis in tentationem — “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mc 14, 38)

Sumário. Meu irmão, começaste a servir a Deus, mas não penses que tenham acabado as tentações. Agora, mais do que nunca, deves preparar-te para o combate, porque o mundo, o demônio e a carne, mais do que nunca, se aprestarão para te combater, a fim de te fazer perder o que ganhaste. A arma principal que deves empregar para alcançar a vitória, deve ser um perpétuo recurso a Deus pela santa oração; e lembra-te sempre desta grande máxima: Quem reza, certamente se salva; quem não reza, certamente se condena.

I. Meu irmão, tens abandonado o pecado, e crês com fundamento ter recebido o perdão. És amigo de Deus, começaste a servi-lo com todas as tuas forças; mas não penses que por isso tenham acabado as tentações. Ouve o que te diz o Espírito Santo: Fili, accedens ad servitutem Dei, praepara animam tuam ad tentationem (1) — “Filho, quando entrares ao serviço de Deus, prepara a tua alma para a tentação”. Sabe que agora, mais do que nunca, te deves preparar para o combate, porque, mais do que nunca os inimigos, o mundo, o demônio e a carne, se aprestarão para te combater, a fim de perderes tudo o que ganhaste.

Quanto mais uma alma se entrega a Deus, diz Dionísio, o Cartusiano, mais o inferno procura arrebatá-la. É o que exprime claramente o Evangelho de São Lucas, no qual se diz que, quando o demônio é expulso de uma alma, não fica descansado e procura todos os meios para de novo entrar nela; chama outros espíritos infernais em seu auxílio; e, se consegue entrar novamente na alma, a segunda ruína será muito maior que a primeira (2). Examina, pois, atentamente, de que armas te deves munir, para resistires a estes inimigos e te manteres na graça de Deus.

Para não seres vencido pelo demônio, não há outro meio de defesa a não ser a oração. Diz São Paulo que não temos de combater homens de carne e sangue como nós, mas os príncipes do inferno (3). Deste modo nos previne de que não temos em nós mesmos força de resistir a tais potências, e que, por consequência, necessitamos do auxílio de Deus. Tudo podemos com o auxílio divino: Omnia possum in eo qui me confortat (4). Assim dizia o Apóstolo, e assim também nós devemos dizer. Esse socorro, porém, só é dado a quem o pede por meio da oração: Petite et accipietis (5) — “Pedi e recebereis”. Não nos fiemos, pois, das nossas resoluções. Se nelas pusermos a nossa confiança, perder-nos-emos. Quando o demônio nos tentar, ponhamos a nossa confiança no socorro de Deus, recomendando-nos a Jesus Cristo e a Maria Santíssima.

II. Devemos recorrer especialmente à oração, quando formos tentados contra a castidade, porque é a mais terrível de todas as tentações e a que alcança mais vitórias ao demônio. Não temos força para conservar a castidade; é preciso que Deus no-las-dê. Dizia Salomão: “Como sabia que não podia ser continente, se Deus mo não desse, dirigi-me ao Senhor e rezei” — Adii Dominum et deprecatus sum illum (6). É preciso, portanto, nesta espécie de tentações, recorrer logo a Jesus e à sua santa Mãe, invocando frequentemente os seus santíssimos Nomes. Quem fizer assim, vencerá; quem não o fizer, perder-se-á.

Ne proicias me a facie tua (7) — “Meu Deus, não me afasteis da vossa face”. Bem sei que não me abandonareis, se eu não for o primeiro a abandonar-Vos; o que me faz temer esta desgraça, é a experiência da minha fraqueza. Senhor, a Vós cabe dar-me a força de que preciso contra o inimigo, que pretende ver-me ainda na sua escravidão. Eu vo-la peço pelo amor de Jesus Cristo, ó meu Salvador, estabelecei entre mim e Vós uma paz perpétua, que nunca mais possa ser rompida. E, por isso, dai-me o vosso santo amor.

Qui non diligit, manei in morte (8) — “Morto está o que Vos não ama”. Ó Deus da minha alma, haveis de livrar-me dessa morte desgraçada. Bem sabeis que estava perdido; foi por um puro efeito da vossa bondade que voltei ao estado de graça, em que me acho e em que espero ficar. Meu Jesus, pela morte cruel que padecestes por mim, peço-Vos que não permitais torne a perder a vossa amizade. Amo-Vos sobre todas as coisas: espero ficar sempre preso no laço deste santo amor, e assim preso espero morrer e depois viver eternamente. Ó Maria, vós fostes chamada a Mãe da perseverança; sois a dispensadora deste grande dom; é a vós, portanto, que o peço e é de vós que o espero.

Referências: (1) Eclo 2, 1. (2) Lc 11, 24. (3) Ef 6, 12. (4) Fl 4, 13. (5) Jo 16, 24. (6) Sb 8, 21. (7) Sl 50, 13. (8) 1 Jo 3, 14.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até à Undécima semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 417-419)

Nos ajude a alcançar mais fiéis compartilhando nas suas redes:
Facebook
Twitter
LinkedIn

Quer rezar conosco todos os dias?

Criamos uma rotina diária para ajudar na prática da oração. Enviaremos meditações, novenas, orações e devoções para te ajudar a estar com o Senhor ao longo do dia. Todos os dias!

Junte-se ao nosso Grupo no Telegram e caminhemos juntos na fé e na oração diária:

1. Preparação

Na preparação fazem-se três atos:

1º Ato de Fé na presença de Deus, dizendo:

Meu Deus, eu creio que estais aqui presente e Vos adoro com todo o meu afeto

2º Ato de Humildade, por um breve ato de contrição:

Senhor, nesta hora deveria eu estar no inferno por causa dos meus pecados; de todo o coração arrependo de Vos ter ofendido, ó Bondade infinita.

3º Ato de Petição de luzes:

Meu Deus, pelo amor de Jesus e Maria, esclarecei-me nesta meditação, para que tire proveito dela.

Depois:

  • uma Ave Maria à Santíssima Virgem, afim de que nos obtenha esta luz;
  • na mesma intenção um Glória ao Pai a São José, ao Anjo da Guarda e ao nosso Santo Protetor.


Estes atos devem ser feitos com atenção, mas brevemente, depois do que se fará a Meditação.

2. Meditação

Para a Meditação sirvamo-nos sempre de um livro, ao menos no começo, parando nas passagens que mais impressão nos fazem. São Francisco de Sales diz que devemos imitar as abelhas, que se demoram numa flor enquanto acham mel, e voam depois para outra.

Note-se além disto que são três os frutos da meditação: afetos, súplicas e resoluções; nisto é que consiste o proveito da oração mental. Assim, depois de haverdes meditado numa verdade eterna, e Deus ter falado ao vosso coração, é mister que faleis a Deus:

1º Pelos Afetos

Isto é, pelos atos de fé, agradecimento, adoração, louvor, humildade, e sobretudo de amor e de contrição, que é também ato de amor. O amor é como que uma corrente de ouro que une a alma a Deus. Conforme Santo Tomás, todo o ato de amor nos merece mais um grau de glória eterna. Eis aqui exemplos de atos de amor:

Meu Deus, eu Vos amo sobre todas as coisas. Eu Vos amo de todo o meu coração. Fazei-me saber o que é de vosso agrado; quero fazer em tudo a vossa vontade. Regozijo-me por serdes infinitamente feliz.

Para o ato de contrição basta dizer:

Bondade infinita, pesa-me de Vos ter ofendido.

2º Pelas Súplicas

Pedindo a Deus luzes, a humildade ou qualquer outra virtude, uma boa morte, a salvação eterna; mas principalmente o dom do seu santo amor e a santa perseverança, porque, no dizer de São Francisco de Sales, com o amor se alcançam todas as graças.

Se a nossa alma está em grande aridez, basta dizermos:

Meu Deus, socorrei-me. Senhor, tende compaixão de mim. Meu Jesus, misericórdia!

Ainda que nada mais fizéssemos, a oração seria excelente.

3º Pelas Resoluções

Antes de se terminar a oração, cumpre tomar alguma resolução, não geral, como por exemplo evitar toda falta deliberada, de se dar todo a Deus, mas particular, como por exemplo evitar com mais cuidado tal defeito, em que se caia mais vezes, ou praticar melhor tal virtude em que a alma procurará exercer-se mais vezes: como seja, aturar o gênio de tal pessoa, obedecer mais exatamente a tal superior ou a regra, mortificar-se mais frequentemente em tal ponto, etc. Nunca terminemos a nossa oração sem havermos formado uma resolução particular.